Com R de… Vida

Acordou
no horário adequado. O dia da retomada chegara.

Parecia
título de filme de guerra. Até riu. Nem sabia de onde tirara a ideia. Mas já
que veio – permaneceu. Esta nova fase obediente estava já cronificando. Mas enfim.
Quem sabe será uma etapa valorosa. Confiava nos pequenos revezes. Pequenos –
olhou de soslaio em sinal de advertência – ao Universo.

Eis
aí. Já batendo na porta. O Dia da Retomada. Não tinha montes. Nem castelos. Nem
barricadas. Nem arco. Nem flecha. Nem espada transfixada em pedra.

Era
apenas o reinicio. Continuaria exatamente de onde tinha parado.

Cedo
desceu. Com calma. Sem atropelos. Ainda estava convalescendo. Um passo errado e
lá se ia tudo a perder. Nem pensar. Ainda estava bem na borda da memória tudo
que sentira. As dores. Os desconfortos. De perfeito só a nevasca no sétimo andar.
Doce e suave fruto de uma simples e objetiva medicação. No mais – a realidade não
poupou sinais de efetiva presença.

Mas
corajosa – enfrentara. Este mérito não permitia avareza. Principalmente de si
mesma. Sobrava ego. Elogiava-se. Congratulava-se. Mais um pouco e se medalhava.

Diante
de tanto – ele ria. Divertido. Já afeito ao estilo dela – concluiu. Está melhorando
rápido. Esta já é quase ela. Sábio.

Mas
acabou. Agora era tratar de possibilitar a rotina. Axioma imediato. Nada existe
no mundo que seja mais apressado do que a rotina. Em se restabelecer. Quando avisada
– já tem que ser. Um verdadeiro e perfeito instantâneo. Nem bem se pensa e já
está lá. Cumprindo as funções. É tão acelerado o processo que demora a
compreensão exata do tempo.

Enfim.

Obedeceu.
Lembrou até da música. Como era de costume. Não era. Mas estava. Por um tempo
recente. Só não garantia a durabilidade do estilo subserviente. Vai lá saber
quando tudo muda.

Mas
se deu um direito. Pensar e refletir. Mesmo esta palavra que sempre rejeitou. Refletir.
Mas não lhe ocorreu outra no momento. Ficou com esta mesmo.

Rotina
deveria ter um significado especial no Dicionário. Lembrou uma definição que
lera há pouco tempo. Num dia de provável muito ócio – e nenhuma criatividade.

Pesquisara
esta palavra. Rotina.

E
lá encontrara.  Num dos mais conceituados.
Caminho
habitualmente seguido ou trilhado; caminho já sabido.  Hábito de fazer as coisas sempre da mesma
maneira, maquinal  ou inconscientemente,
pela prática, imitação. Hábito inveterado que se opõe a inovações ou progresso.
Feitio e espírito conservador. Relutância contra o que é novo. Costume
antigo.

Deu
vontade de escrever para o autor. Pode até ser o que eles definem. Não iria
discordar de tamanho estudo. Ou conclusão. Mas podia ao menos reclamar. Avisar.
Vai ver não notaram. Ou então não vivem uma – Rotina.

Informaria.
Com delicadeza. Mas com absoluta firmeza. Falta completar. Rotina é praticamente
um ser. Um ser objetivo e de pouca conversa. É autoritária. Impiedosa. Demandante.
Qual uma retórica de si mesma. Algo por aí. Mas nada fez. Devia ainda ser o
efeito da nevasca. A tal do sétimo andar. Riu.

Todo
este complicado processo durou o tempo de lá chegar. O percurso. Tanta exacerbação
neuronal num trajeto. Quase riu. E com tantos cuidados no caminho. Tinha que
estar atenta. Afinal – era uma convalescente ainda. Perfeito.

Chegou.
Tudo estava tão igual. Em tão curta ausência – tão longo afastamento. Sentiu-se
um pouco alheia. E um pouco participante. Sensação estranha. Voltar e retomar
pareciam mais simples vistos de casa. Ou – durante a discussão. Com o inocente autor
de dicionário.

Subiu.
Abriu a porta da sala. Ela cuidadosa – já deixara o protocolo em local habitual.
Esperou que chegasse – com beijos e abraços. Tudo estava arrumado. O material
específico na pasta preta. A listagem da agenda na posição correta da chamada.
Tudo disposto do jeito que ela gostava. Até a cortina já estava aberta.  

Nova
e deliciosa descoberta. Simples. Mas prazerosa. Tinha retomado. Reiniciado. Recuperado.
Rotina – também – é Vida. Sorriu feliz.  

Chamou
o primeiro atendimento.

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    • Anonymous
    • September 16th, 2009

    Lindo texto! Boa sorte nessa retomada 😉

    • Alexandre Boure
    • September 18th, 2009

    Olá leda prazer e achei sua narrativa precisamente femininaDeixo aqui a opção de visitar meu blog, sou capista e sei que está publicando pela Clube de Autores, muitas vezes as capas deixam a desejar apenas com uma foto quadrada no meio uma inscrição igual no topo e rodapé. Tenho feito capas para autores independentes e empresas de agendas, e esse tipo de coisa. Tenho problema com meu site então estou improvisando um blog se quiser ver minha visão e o que pde beneficia-la a confecção de uma capa apresentável visite http://www.designdoescritor.blogspot.com

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