…Viva o Zol…

O
dia amanheceu lindo. Só cores.

Céu
azul. Brilhante. Desta vez nem era o habitual azul turquesa. Era azul
brilhante. Intenso. Acolhedor. Ficou ali. Olhando e buscando adjetivos. Fazia tempo
que não amanhecia assim. Ou vai ver ela que não amanhecia assim. Aberta para o
colorido do mundo. Enfim.

Debruçou-se
na murada. E ficou em silêncio. Olhou para cima. Teve aquela boa impressão. O
céu estava perto. Sentiu-se assim. Perto do céu. Até sorriu. Vai ver era assim
no verão. Mas já não tinha certeza.

Quase
concordou com a amiga que falou sobre o esquecimento do corpo. É verdade. O corpo
vai se habituando. E passa a entender cada estação como única. Como se nunca
tivesse conhecido outras. Incrível. Por isso de repente – o susto.

E
diante do susto – fez o indicado. Vestiu o verão.

Deitou-se
na cadeira. Deixou o sol aquecer a pele. Os cabelos soltos voavam com leveza. Estava
sem compromisso nem temor.  Um calor
calmo invadiu até os pensamentos. Mal respirou. Não queria que nada afugentasse
aquele prazer. Ou se fosse um sonho – nada que causasse o despertar.

Bendisse
o inverno. Pela amnésia. O inverno se esqueceu de lá naquele dia. E deixou que
as cores do verão enfeitassem um pouco a cidade. O verde das árvores em frente
ficou mais verde. O amarelo de alguns prédios- mais amarelos.

Tudo
ia assim. Muito prosaico. Poético.

Ela
teve uma idéia. Contaria a ele. Ele que vivia sob o sol. Que morava lá de onde
ela viera. Que não sabia de cor cinza. Nem de casacos pretos. Nem de meias
grossas. Contaria a ele. Mas de uma forma especial.

Avisou.
Hoje o dia aqui não parece inverno. Estou no terraço. Tomando sol. E decidi até
fazer algo que nunca faço.

Decidi
tomar uma cervezza. O zol eztá tão bonito. Eztá um dia de verão. E tive ezza
ideia. Uma cervezza. Nunca bebo liquidoz com álcool. Hoje dezidi exxperimentar.
E vozê não zabe o que acontezeu. Os Aztroz vieram pazzear aqui. Em meu
terrazzo. Todos elez.

Vai
ver devo beber líquidoz com álcool. Nunca havia vizto os aztroz. E eztão bem
aqui. E não param de girar. É verdade. Como giram. Que aztros mais felizez. Tomara
que não ze ezbarrem unz noz outroz. Seria uma tragédia cózmica. Ze forem dezastradoz.
 Dezculpa. Interrompi o recado para rir. Aztro
dezastrado é perfeito.

Ele
de lá respondeu. Surpreso. Rindo. Assustado. Como assim. Deu conselhos. Informou
dos riscos. Ordenou limites. Relembrou a ela – quem ela era.

Ela
continuou. Um rezidente de Zaturno acabou de perguntar por vozê. Rezpondi que
tudo bem. Que vozê eztá ótimo. Ze quizer alguma menzagem – aproveita que ainda
eztão aqui. Não pararam de girar. Maz não zairam daqui do terrazzo. Imagina ze
aquele fizico zoubezze dizzo.

E assim
ficou nesse vai. Vem. Vai.

Enviou
o último. Ele quer que eu deza para almozar. Falou que não quer converzar com o
povo de Zaturno. Vou dezer. Até maiz.

Parou
o recadinho. Encerrou a lista de z.

Sentada
em sua cadeira. Olhou para o céu. Para aquele lindo céu azul brilhante. Tranqüilo.
O terraço sem astros. E por um tempo ficou ali. Bem sentadinha. Bem longe das
cervejas. Diante do sol.

Fez
assim sua mais nova descoberta. E teve uma sensação maravilhosa. Entendeu a muitos.
E a si mesma. Ou vai ver sempre soube. Só não formalizara. Não importava. Não há
lógica nas sensações. Nem ordem classificatória. Sensação procede – da
desordem. Ainda bem.

Compreendeu
as infinitas possibilidades da letra. Os surpreendentes caminhos das palavras. A
magia de uma construção literária. Pode-se ser o que quiser. Pode-se viajar por
lugares nunca dantes imaginados. Pode-se ser quem escolher ser. A liberdade é irrestrita. Não tem um dono. Ou um tutor. Ou mentor. Também não importa. Há
o escrito. Há o leitor. Isso importa.

Lembrou-se
daquele filme. Falava de escafandros e borboletas. E imobilizado – ele pensava.
Não existe solidão para quem tem memória.

E
ela ali. Sentadinha em seu terraço. Diante do sol. Sob o céu azul brilhante –
concluiu. A melhor embriaguês – é a composição de um texto.

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    • Anonymous
    • August 20th, 2009

    Parabéns pelo 400º comentario,
    um beijo,

    • Fagner
    • March 12th, 2010

    Sou da Zona Norte de Porto AlegreParabéns pelo blog.Sempre quando eu posso eu volto aqui.Abraçoszonanortepoa.com.br<a href="http://www.zonanortepoa.com.br&quot; alt="Site de anúncios da Zona Norte de Porto Alegre">www.zonanortepoa.com.br – Zona Norte, Porto Alegre</a>

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