No Zodíaco da Emoção

É
passional. Muito passional.

Sempre
agiu assim. Já o conheci assim. Com o vermelho da emoção sobrecarregada –
colorindo o rosto de linhas bem marcadas. Belo. Contrastando com o grisalho dos
cabelos e o esverdeado do olhar. Um colorido explícito. Denunciava a alma –
sem texto. Incrível. Foi a primeira palavra que me veio à mente.

Algumas
vezes até o senso de justiça ficava um pouco de lado. Mas era atento. A
injustiça lhe feria até a alma. Tentava sempre uma parceria. O passional com o
racional. Nem sempre conseguia. Mas nunca desistia. E com o passar dos anos –
foi ficando cada vez mais atento.

Tem
um dom. Especial – como todo dom. Tem uma sensibilidade ímpar. Enxerga além do
previsto. Ou até do malvisto. Mas só se expõe quando quer. Quando não –
comporta-se como um trabalhador braçal. Enche-se de tarefas e silêncios. E age
como se nada importasse. Assim se ampara. Assim se enfrenta.

Divide
um estilo entre a timidez e a ousadia. Não sem alguma dificuldade na dosagem
certa. A balança pode pender para um lado mais afoito. Ou menos objetivo. E –
muitas vezes – o resultado foi negativo. Errou talvez mais do que acertou. Ou o
contrário. Nunca se sabe mensurar com a certeza. Venceu grandes batalhas. Perdeu
boas oportunidades. O tempo é autoritário. Descobriu também depois. Mas aprendeu
a conviver com o que não pode ser resgatado.

Este
é mais um dos seus traços. Acata. Não se rebela se a luta é desleal. Lutar contra
o Tempo – já se entra perdendo. Lutar contra as perdas – impede as novas
conquistas. Nisso é um sábio. Nada de ficar correndo atrás de prejuízos. A vida
caminha para frente.

Expõe
a alegria pessoal com recato. Impõe solidão nos momentos de grande tristeza.
Sobreviveu a dores e amores. Aos possíveis erros de avaliação. Às possíveis
punições da credulidade da juventude. Agora – bem mais cuidadoso – se preserva.
Melhor um pouco de charme bem dosado do que o coração aberto por inteiro.

Não
perdeu um mínimo que fosse da característica sedutora. Ou da sensualidade. Sedução
e sensualidade. Para ele – forças vitais.

Tem
um olhar curioso sobre o Universo de uma forma geral. E um olhar disfarçado
sobre as belas particularidades do mundo. Divide o que sente – com quem sabe
escutar. Cala-se diante do desatento. Ou do seletivo. Não quer ser apenas instrutor.
Quer mais. Quer talvez ser provocador. Provocar projetos. Provocar futuros.  

Tem
ternura na alma. O desconforto do outro lhe causa dor. Enfim. É suave e forte. Como
um poeta. Como um músico. Muito mais lhe importa a sonoridade das palavras. O
brilho das cores. Ou o simbólico dos detalhes. Aprendeu que nem tudo que é belo
é real. E nem tudo que é triste é sofrimento.

E
assim vai seguindo o caminho. Perseguindo os objetivos. Contornando as
imperícias. Regozijando-se com as conquistas.

Foi
o que pensei ao vê-lo hoje. Decidido. Já foi logo avisando. Desde cedo.

Não
importa o Tempo. Muito menos a temperatura. Não importa se aquece. Não importa
se esfria. Vou relaxar diante das águas. Vou ficar diante do vento. Vou buscar
o equilíbrio. É só o que permite que se fique numa vertical. Assim. Entre o
vento e a água. Vou dominar com os braços. Vou firmar com os pés.  Vou vencer sem contradizer. Vou entender a
favor – estando contra. Ou vice-versa. Tanto faz. Vou aprender a ser. Muito mais
do que a estar.

No
começo pode-se cair. Músculos e pensamentos nem sempre andam de mãos dadas. Podem
até se desentender. Mas assim é em qualquer aprendizado. Para cada código há
uma leitura específica.

Por
um segundo ainda olhou para trás. Ainda pensou em voltar. Mas este também não era
o estilo dele. Uma vez diante de uma criação – seguia. Confirmava.

Quando
uma ideia chegava de súbito – respeitava. E esta viera assim. De repente. Num amanhecer
cansado. Ou por um dormir angustiado. Vai lá saber. Mas viera. Isso o que
importa. Iria sim. Buscaria os meios. Transformaria ideias em atitudes. Este
outro dos seus traços.

E
de traço em traço – como que deliberadamente – vai se compondo. Refinando a
sinfonia interior. Tentando desenhar seu próprio destino. Cuidadoso. Como se
utilizasse um pincel com um único pelinho. Pintando com delicadeza e sutileza. Mas
com firmeza – e vontade própria – no risco. Sempre fiel e leal – consigo mesmo. Com o vermelho
no rosto. Ocasionalmente.

Inegável
e proporcional. Além do sentimento amoroso – o admiro tanto quanto o invejo.

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