Acertando os Tempos

A
semana girara em torno da expectativa.

Até
sorriu. Quando começou a entender. A expectativa em si – letra por letra –
estava já sendo vivida. Já acontecia.  A existência
do ato já era fato. É sempre assim. O difícil é enxergar. Vai lá saber por que.
Quando uma programação se estabelece – já começa a ser vivida desde o primeiro
passo. E a rotina passa a ter outro colorido. Algo por aí.

Mas
estava muito agitada para ser parcimoniosa. Com as idéias. Os pensamentos
vinham desordenados. Não havia fila nem senha. Chegavam de qualquer jeito.

Sempre
fora assim. Quando chegava esta época – ficava mais feliz. Muito mais feliz.

Quando
criança – era o mês das reclamações. As notas caiam. O boletim ia para o
Departamento das Recuperações. O comportamento ficava um horror diante dos
critérios aprovados. E lá se ia para o Departamento das Complicações. As queixas
se sucediam. Parecia que professores e coordenadores só sabiam o nome dela. Era
o nome mais repetido do mês. Não se importava. Como se não lhe dissesse respeito.
Muito menos autoria. Falava mais do que o costumeiro. Ria muito mais que já se
conhecia. Quando o mês acabava – voltava para o seu estado habitual. Não que
fosse de todo bem disciplinado – porém menos acelerado.

O
tempo passou. Não tinha mais problemas de boletim. Nem de comportamento. Nem de
coordenadores. Não frequentava mais os Departamentos. Mas continuava em seu festejo
particular.

E
desta vez não foi diferente.

Quando
elas chegaram – todos já sabiam. Estava inaugurada a semana. Os festejos. As lembranças.
As saudades. Os acertos. As surpresas. As noticias de todos os lados. As fotos antigas. O riso dela pelas fotos antigas. As escavações na memória. Estavam iniciadas as comemorações.

A mesa arrumada. A toalha branca. As flores. As
cores da comida. A música bem escolhida. Elas vieram de lá. Saíram da rotina. Re-agendaram
as tarefas. Para participar. Eles passaram a semana tramando surpresas. Monitorando
a organização. Para que nada faltasse. Para que tudo agradasse. A ela.    

Todos juntos. O espaço acolhia a todos. A casa
parecia mais clara. Com mais luz. Não faltavam abraços. Beijos. Piadinhas. As fotos
assustadas. Agora não. Nem sorri. Apaga essa. Não fiquei bem. Essa – adorei. Me envia. Agora pode. Mais um pouco. Você fica
aqui. O preferidinho é ele. Não. É ela. Ela faz assim. Eu que me desdobro. Sim.
Ela sempre foi muito elegante. Não acredito. Mexendo com terra. Adora o sitio. Não
o chalé. Certo. Cada um nomeia como quer. Mas ela mexendo com terra. Surpreendente.
Quem diria. Então tudo bem. Luvas de borracha com grife. Agora a reconheço. Falou
sim. Falou que não estava bonita naquela festa. Eu escuto bem. Não faz mal. Eu me
vingo. Ele também faz nesta época. Teremos que acertar tudo de novo. Sim. Diante
do mar. Ia ser bom. Vamos organizar. Como assim eu quem decide. Sou submissa. Estão
rindo do que mesmo. Não entendi. De novo. Ela não esquece a tal Cidade Luz. Não
tem assunto que não possa ser citada. Até unha encravada. Sim. Outro brinde. Também
achei. Delicioso. Que surpresa. É ela sim. Está ligando de lá. E no momento
exato. Dos nossos brindes de aquém mar. Que alegria. Você ligou para estar
presente. Nem precisava. Você está presente esteja onde estiver. Além mar não é
distância. É só localização. Sim. Todos também estamos sentindo sua falta. Que bom
que ligou. Elas estão aqui sim. Haja ciúmes. Depois dizem que ciúme é bobagem. Sei.

Diante
desse coral perfeito – ela parou. Sentou. Olhou para todos. Se sentiu a
privilegiada. Repetiu uma frase costumeira. Bem baixinho. Alguém lá de Cima me
adora. E balançou a cabeça. Grata. O prazer de estarem todos juntos era de uma
obviedade que até emocionava.

E
o dia exato ainda nem tinha chegado. E já tinha chegado. Lá se veio – de novo –
a questão do tempo. Redundância perfeita. Mas ele proibiu. Não se pode dizer a
palavra chave. Esta só no dia certo. Dá azar. E todos obedeceram a ele. Como sempre.
Um avisou de lá. A Lei chegou. E todos riram. Obedientes. Lógico.

Agradeceu.
A todos. A um por um. A elas que viajaram. A eles que se organizaram. E a ela –
que mudou a rotina para contribuir com sua acertada arrumação.

Deu
um beijo nele. Concluiu. É o afeto que enlaça a alegria. E qualifica o Tempo
certo. O mais é calendário.

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    • Paula
    • May 6th, 2009

    Lêda, adorei seu texto, dá para ouvir o som das risadas e o tilintar dos brindes,
    Meus parabéns!!

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