Brilho no Escuro

Faz
muito tempo. Que li sobre eles. Os acendedores de lampiões. Tarefa mais
delicada. Isso sem falar no simbolismo envolvido. Imaginar que na noite se
dependia de um gesto individual. Não posso negar. As antigas profissões tinham muito
charme envolvido. E muitas delas sucumbiram. Apagaram para ser mais exata. Apagaram-se
com a evolução.

Lembro
de um comentário antigo. Já nem sei mais quem o fez. Às vezes até penso que fui
eu mesma. Que partiu de mim esta idéia. Esta coisa de acompanhar a evolução. É
preciso primeiro entender o conceito. Sobre o que se faz. Na realidade. O charmoso
acendedor de lampiões. Que aconteceu com o coitado. Depois que ele teve sua elétrica
idéia. Vai lá saber. Isso sem falar nos fabricantes. Os que não acendiam. Mas que
produziam. Será que entenderam. Que trabalhavam com iluminação. E não com o
específico do acender.  Difícil medir o
que é simples. Sempre falta material.

Lampiões
me vieram hoje por conta das estrelinhas. Estrelinhas são, também, um conceito.
Mais novo por conta da evolução. Mas sempre um conceito. Num recém construído céu.
Ou recém descoberto céu. O céu dos blogs. Ali – as estrelinhas – se expressam
de forma inversa. Quando escurecem é que iluminam. Coisa mais linda. O virtual –
mais uma vez – como espelho. É pela imagem invertida que tudo se aproxima. E muito
se reconhece. Imagino o que diria disso a menininha que queriam lhe cortar a cabeça.
Por uma entrada desavisada num espelho. Ela só corria. E quem nem se mexia é
que queria que lhe cortassem a cabeça. Quem só dava ordens. Mas nada fazia.  Assim deve ser o espelho. Autoritário. Vai ver
por isso nos olha tão sem piedade.   

Não
sei se neste céu também é assim. Autoritário. Só que este céu tem diferenças com
o outro. Com o habitual. Com o céu de lá. Lá elas acordam por si. As estrelinhas.
Ficou escuro e logo elas brilham. Todas juntas. Unidas. E brilham por si. Cá de
baixo só olhamos. Sem nada poder mover. É um céu com suas próprias leis.

Neste
não. Há referências. Aparecem as estrelinhas. Ocas. Contornadas. Mas ali. Aguardando.
O que será feito delas. Ou com elas. Ou por elas. Se apenas uma. Um par. Ou todas.
Como numa irmandade. Respeitando a ordem. As estrelinhas expressam o Lugar do
outro. Não brilham por si. Brilham para o outro. No céu de cá tudo pode ser
movido. É um céu sem suas próprias leis.  

Dizem
que as de lá elas duram anos. As originais. Têm um nome especifico. Da durabilidade.
Ligado por um hífen. Poética. Esta medição no tempo. E desta forma nomeada. Para
alguns os anos escurecem. Para elas os anos são luz.  

Neste
novo céu podem durar pouco. Tem gente que disse que não passam de quinze
minutos. Lembrei dela. Dizia que na vez dela iria economizar. Dividiria os
quinze minutos em dez vezes. Para aproveitar com vagar. Assim é ela. Divide e
guarda. Sempre há um futuro. E sempre há um guardado. Nega. Mas sei que
aprendeu com ele.  Não sei se é bom. Mas não
tem reclamado.

Assim
é o mundo. Das estrelinhas de cá. Tão cheio
de susceptibilidades. De idiossincrasias. De delicadezas. De sutilezas. De vulnerabilidades.
 De exposição. Mesmo num anonimato
imposto. Habitam um mundo restrito. Que até é medido em polegadas. E tomam uma
dimensão tão infinita. No coração de quem as porta. No riso de quem as ganha. Na
confiança de quem as recebe. Na decisão de quem as escurecendo – ilumina.

A
luz na ponta de um dedinho. Aquele diretor é sábio. Antecipou-se ao que seria o
mundo. Há tanto tempo. E tanto tempo depois. Acertou. E partindo das estrelas. Genial. Que se dêem vivas
aos acendedores de lampiões. E mais vivas ainda ao mago diretor. Isso sem
esquecer de aplaudir – de pé – o escurecedor de estrelinhas!

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    • Anonymous
    • October 6th, 2008

    Lindo, Leda!
    Saudades dos tempos passados. Estrelinhas e lampiões!!
    bjo,
    Mari

    • Anonymous
    • October 6th, 2008

    Perfeita a sua visão das estrelinhas. Então palmas para o seu escurecedor!

    • Leni David
    • October 6th, 2008

    Linda sua crônica, Leda. A mensagem passou nas entrelinhas e gostei disso! Que venham os acendedores de lampiões! Um abraço, querida!

    • Rosiane
    • October 6th, 2008

    Essa é minha amiga querida Leda
    you are the best, por isso q eu te adoro!!!!!!!!

    Beijao no coraçao

    Rosi

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