Campos Austríacos

A
festa sempre continua. Isso é verdade. Mesmo depois que acaba. Aliás, acho que toda
festa só começa a partir daí. Depois que acaba. Sempre entendi assim. É igual a
filme. A peça de teatro. A diversão começa quando a luz acende. Isso dá muito
texto. Mas vou deixar para o futuro.

Mas
foi assim com a festa. A do Martini digitalizado. Cada um em acordo com o
outro. Foram muitos acordos. Nenhum desacordo.  Parecia a festa do dia seguinte. Porque todos
se telefonaram. Comentaram. Parabenizaram. Gostaram. Do que viram. Do que verão.
Dos que vieram. E dos que virão. Todos os tempos em uso. Sim.

Depois
atacaram o final de semana. De realidade. Como ele brindou sorrindo naquela
noite – Vamos Indo Pessoal! Uns foram para uma cidade do interior no sul do
país. Até sogra foi privilegiada nisso. Outros, para um fim-de-semana, reclusos
em casa. Onde as bolsas ficariam em repouso em algum cabide. Outros ainda escolheram
um social. Um casamento na roça.  Mesmo que
estivesse frio e com garoa. Teve um outro que desistiu por um tempo da Filosofia.
E foi comer caranguejo.  Soube de um mais
exaltado que escolheu fazer os exames de sangue já atrasados. Mas no total a
soma deu igual. Cada um olhando e pensando em sua própria artéria. Melhor ainda.
Rindo da própria artéria.  


que assim ficou disposto e exposto nada melhor do que acordar e dar uma
passadinha nas notícias. Ler as mais recentes opiniões. Sim. Tem-se que manter
os “desenfreios” das opiniões sempre em dia. Atualizados. Porque opinião antiga
pode ser substituída. Assim. Sem mais nem menos. Ou por qualquer mais ou menos.
Em meio a esse tumulto. Pode ter ficado fora da área de conservação adequada. A
opinião. E vale conferir o rótulo em espaços curtos. Minha avó sempre me
alertou. Fica sempre atenta aos comentários, menina, sempre atenta.

Não
diria susto. Não diria espanto. Acho que nem surpresa. Não expressam muito bem.
A minha reação quando li. Dos belos e suaves Campos fui parar imediatamente
grudada ao telefone. Solicitando consulta. Não acredito. Então é assim que sou
nomeada. Este sentimento me pertence. Não sabia. Como se alguém tivesse se
unido a uma antiga psicóloga. Que conheci. Só para me remeter às cânforas da vida. Para que ficasse
sentindo o cheiro do isolamento. Não esclarecedora. Por sorte não deram crachá no brinde. Eu teria
que ficar igual à mocinha desalentada que fui em auxílio. E certamente não me
integraria a ninguém. Isso sem falar nas fotos. Teria que ser apenas 3×4. Onde só
eu coubesse.

Tudo
começou de repente. Escutei, atenta, uma pergunta. Não soube responder. Não sei.
Conheci alguém há muito tempo. Que investigou este processo. Diria um processo
criativo. Mais do investigador do que do investigado. Não sei o resultado. Mas me
parece que não ganhou muita credibilidade. O resultado da investigação. Mas então
foi por isso.

Não
tem saída. Ele falou que está com despesas financeiras. Excessos que pagou numa
certa viagem de volta. Levou muitas malas. Deram-lhe muitas malas. E ele teve
que honrar o peso conquistado. E aqui pra nós, merecido. As malas e o peso.  Mesmo que fique dando nomes. Assim. Sem
muita benevolência.

Até
pensei em dar-lhe um daqueles conselhinhos da minha sábia avó. Mas não sei se
ela concordaria. Afinal até hoje nem sei por que não ganhei um certo presente
que ela me prometera. E como adoro uma paranóia já fui logo concluindo. Vai ver
ela achava o mesmo. Que ele denominou. Vai ver foi por isso.

Isso é fato. Uma paranóia sempre se soma a outra. Não tem sinalização. Vai se
construindo. Se sobrepondo. Quando se percebe já nem se sabe mais o ponto de início.
Precavida. Grudei no telefone. Até que ele atendeu. Não. Não importa se é sábado.
Você não é “sabático”. E foi no domingo que Ele descansou. Portanto nada disso.
Sim. Tinha que ser logo hoje. Quero agendar. Certo. No primeiro dia útil. Não. Não
vou desmarcar. Desta vez o caso é sério. E vou levar minha foto 3×4. Quero desvendar.
Em outro Campo. Um nome. Sei lá. Um título. Aguarde. Parece mais curioso de
escutar do que eu de contar. Suporte. Afinal, este é o seu Lugar.  Agora está agendado.

E
estou já enviando para ele. Para o meu mais recente nomeador. Da minha mais
recente nomeação. Tomara que não se assuste. Acho que não. Me pareceu alguém que
assume o que fala. Um devotado. Vive na paralela. Mas sabe cruzar os próprios caminhos. De vitória. Afinal é de mundo. Insisto. Em minha
nova criação lingüística. E agora já tenho minha consulta agendada. Posso falar
qualquer coisa. Ele dará conta.

E
ele!  Pagará a conta! Do psicanalista!

 

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    • Anonymous
    • October 4th, 2008

    MEA CULPA, MEA MÁXIMA CULPA.Ninguém mexe com a palavra pra sair impune, há que se ter muito cuidado com ela. Mesmo porque pra toda palavra existe outra palavra, não necessariamente de força igual ou proporcional àquela que a gerou. E se a sua não pode com a qual vai provocar é melhor ficar calado, dentro de seus limites. Primeira lição que aprendi hoje.A outra é que o crédito não é ilimitado. Segundo meu gerente, a recente orgia perdulária que cometi nos últimos dias não me credencia a solicitar mais nenhum recurso, ainda que um agiota das redondezas tenha me disponibilizado algum desde que eu forneça a geladeira em garantia. Portanto, mesmo por vias um tanto heterodoxas, estou pronto a assumir as conseqüências desastrosas de meu ato.(Continua)

    • Anonymous
    • October 4th, 2008

    (Continuação)Meu analista me deu a terceira: alguns adjetivos não podem ser usados nem por brincadeira. Quanto mais colados sem remorso no coração altruísta de seu ídolo.Eu mesmo me dei a quarta, relendo uma frase de meu livro: não existe resposta para o que não se sabe perguntar.Por fim, mesmo devastado pela culpa, ainda me resta a alegria de guardar algumas malas cheias de tesouros que o dinheiro não pode comprar. Tomara que a consulta, que a minha inconsequência provocou, não venha a custar tão caro, ao ponto de ter de me desfazer de algumas exclamações, sorrisos e amizades conquistadas. Nenhuma faculdade de psicanálise vale tanto.E.C

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