O Ato e o Todo

Palavras precedem o ato

permitido

nas palavras tatuado.

Ato corpóreo.

Palavras ditas,

escutadas, caladas.

Lançadas, ecoadas.

Na fuga das palavras

faz, continua

no ato, em ato

no tempo mantido.

Passado vivido

sofrido, dividido.

Lugar imposto

meia-parceria

meia-conjunção

na palavra retida

descorti-nada

do não ato

enfim des-ato.

 

Ser nada a ser meio.

Meia-liberdade,

diminuída, não-toda.

Na prisão, livre.

Na solidão, preso.

No espaço imenso, contido.

No palco limitado, liberto.

Na presença, metade,

na ausência, inteiro.

Na vida

o todo no nada,

o nada no todo.

O meio corta, impede.

No meio se vive todo

no todo se vive menos.

No meio se sente forte,

no todo se sente fraco.

O todo desnuda.

O meio encobre.

A coragem é toda,

a dúvida é meio.

No meio o tempo é longo.

No todo o tempo é curto.

 

Na saudade

a falta-é-toda,

o prazer-é-meio.

No encontro,

no gozo do ato,

no ato do gozo,

o todo se faz presente

e a palavra se faz metade

do todo que se desprende.

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