Archive for September, 2008

Forró do Amor

Quero dançar esse
forró

agarradinha com você

nossas pernas a se
bater

nossos corpos a se
tecer.

Nos acordes da viola

no lamento da canção

o ritmo da paixão

vai aquecer o coração.

Desde que encontrei
você

tanto tempo já passou

muito rumo se desviou.

A vida que nos juntou

nunca mais nos separou.

Se teve algo a se
perder

mais ainda se ganhou.

Só uma coisa não mudou:

eu com você querer
ficar

a lhe chamar de meu
amor.

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Diagonal

Cabelos mesclados

Bocas vorazes

Olhares nervosos

Palavras fugazes

 

Cabelos vorazes

Bocas nervosas

Olhares fugazes

Palavras mescladas

 

Cabelos nervosos

Bocas fugazes

Olhares mesclados

Palavras vorazes

 

Cabelos fugazes

Bocas mescladas

Olhares vorazes

Palavras nervosas

 

Alheios

atravessam

no tempo

o espaço,

o espaço

no tempo

Vida-bem-lida

Lia

o riso

o cheiro

a alma

as dores

as cores.

Lia a Vida

no espelho

na imagem invertida

de tudo sorria

por pouco sofria.

Seduzia.

Queria o que dava

e até o que negava.

Sem guia

seguia.

Lia Poesia.

 

Tradução

Queria ser inventora.

Retórica nova

caneta e papel à mão

revelar toda a emoção

sem freios, contenção.

Ou talvez símbolos

unidos ou divididos

indicando afeição.

Quem sabe numa tela

desenhar com exatidão

numa única aquarela

a verdade da gratidão.

Impossível criar

só possível sentir.

Resta repetir

tão difícil traduzir

na palavra

já criada:

obrigada!

 

Febre Caipira

Pruquê tanta dô

tanta febre…esse
calô

Parece que num passa
num sinhô.

Pudesse eu sê mágica

ia da cartola só tirá

frô, risu e vigô.

Fosse eu uma fadinha

ia minha estrelinha
pegá

e trazê ocê pra cá

pros meus cabelo
afagá

e depois de tudo acabá

Ah! Quantos beijinho
ia te dá.

Sem cartola e sem
estrelinha

só me resta mermu
esperá

aqui bem quietinha

a tar saúde vortá.

Depois de lê
esse poema

num vai assustado
ficá

num vai correndo rasgá

ou querê me interná.

Deixa a febre passá

que vô miorá o pensá!

O Ato e o Todo

Palavras precedem o ato

permitido

nas palavras tatuado.

Ato corpóreo.

Palavras ditas,

escutadas, caladas.

Lançadas, ecoadas.

Na fuga das palavras

faz, continua

no ato, em ato

no tempo mantido.

Passado vivido

sofrido, dividido.

Lugar imposto

meia-parceria

meia-conjunção

na palavra retida

descorti-nada

do não ato

enfim des-ato.

 

Ser nada a ser meio.

Meia-liberdade,

diminuída, não-toda.

Na prisão, livre.

Na solidão, preso.

No espaço imenso, contido.

No palco limitado, liberto.

Na presença, metade,

na ausência, inteiro.

Na vida

o todo no nada,

o nada no todo.

O meio corta, impede.

No meio se vive todo

no todo se vive menos.

No meio se sente forte,

no todo se sente fraco.

O todo desnuda.

O meio encobre.

A coragem é toda,

a dúvida é meio.

No meio o tempo é longo.

No todo o tempo é curto.

 

Na saudade

a falta-é-toda,

o prazer-é-meio.

No encontro,

no gozo do ato,

no ato do gozo,

o todo se faz presente

e a palavra se faz metade

do todo que se desprende.

Atalho

Cores

 Flores

 Dores

 No mudar do rumo

 o atalho

 No riscar do traço

 o passo

 Na direção da cena

 a aparência

 Na coerência da palavra

 o falso

 Na teia fina do abraço

 o cansaço

 Na luz morna da noite

 as costas

 Na ilusão da presença

a ausência

 Na certeza do encontro

 a partida.

          

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